segunda-feira, agosto 25, 2014

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos I - Infohabitar 497

Artigo LIX da Série habitar e viver melhor

Infohabitar, Ano X, n.º 497

Nota prévia do editor da Infohabitar:

Há algumas semanas foi editado um primeiro artigo sobre a “Formação em Arquitetura na Universidade da Beira Interior (UBI)”, na Covilhã, uma escola de Arquitetura que ajudei a criar, há cerca de 10 anos, e à qual estou atualmente ligado, como professor, coordenador do respetivo Mestrado Integrado em Arquitetura, e para ajudar a estruturar um novo Centro de Investigação, que abranja as áreas da Arquitetura, Urbanismo e Habitat Humano, e apoiar no desenvolvimento de um renovado Doutoramento em Arquitetura.

Outros artigos serão aqui editados, visando a divulgação da formação em arquitetura da UBI, brevemente associada a um novo Departamento de Arquitetura, capaz de dinamizar excelentes relações com as Engenharias da UBI, com outras faculdades da mesma UBI e com outras Universidades, Laboratórios, Centros de Investigação e, também em primeira linha, com as  mais diversas entidades sociais e autárquicas, seja no âmbito formativo, seja no quadro do futuro novo Centro de Investigação.

Em toda esta reforçada e renovada dinâmica estão previstas parcerias com a sociedade e a academia, no quadro dos mais diversos projetos e iniciativas, como é, por exemplo, o caso do Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono - CIHEL, cuja terceira edição será, em breve, devidamente anunciada, mas desde já prevista para São Paulo em 2015 -, numa dinâmica que estimule um amplo conjunto de ações e eventos formativos, informativos, técnicos e científicos, que tirem todo o partido das excelentes condições humanas e de instalações existentes na UBI, na Covilhã, bem como do agradável e estimulante ambiente académico, urbano e social que ali se vive.

O Editor da Infohabitar, António Baptista Coelho
Professor catedrático convidado (UBI), investigador principal com habilitação (LNEC), doutor em Arquitectura (FAUP), arquitecto (ESBAL)


Oferta diversificada de espaços domésticos específicos (I)

António Baptista Coelho

Iremos, agora, falar, globalmente, dos compartimentos, cantos e recantos domésticos, dos espaços tendencialmente intimistas onde se processa a vida diária das famílias, um leque variado de espaços habitualmente com funções específicas, mas desejavelmente com uma equilibrada flexibilidade funcional, espaços privilegiados da apropriação familiar e individual.

Uma habitabilidade ampla dos espaços domésticos

As características de habitabilidade dos espaços domésticos são, realmente, fundamentais para a qualidade residencial oferecida por um determinado empreendimento habitacional. Basta imaginarmos uma habitação constituída por compartimentos e espaços muito amplos, confortáveis e funcionais, que aceitem uma forte apropriação por mobiliário e diversas zonas de uso, para que fique quase praticamente provada essa afirmação.

E diz-se quase provada porque essas condições não chegam, de facto, para uma boa caracterização residencial. É também necessário, pelo menos, que a Vizinhança Próxima ofereça boas condições para a vida diária.

Boas condições habitacionais interiores e exteriores

Deste modo definiu-se um "binómio" mínimo de qualificação residencial assente em boas condições domésticas de compartimentação/privativas e de vizinhança exterior/semi-públicas ou públicas, "binómio" esse que deverá ser estudado e explicado, pois poderá proporcionar conclusões interessantes sobre a satisfação residencial; e talvez que entre um e outro elemento possamos, depois, "inovar" com a afirmada introdução da grande importância de um "jogo tipológico" habitacional muito mais protagonista do que aquele que é habitualmente considerado - matéria que termos de deixar para outros desenvolvimentos.

Ainda sobre a importância de boas condições de habitabilidade nos espaços e compartimentos do fogo importa salientar que até a organização ("o layout") do fogo parece ser menos importante do que as condições específicas dos seus Espaços e Compartimentos.

Esta afirmação parece ser globalmente válida e tem grande importância quando a organização do fogo se caracteriza por uma forte neutralidade e adaptabilidade, proporcionando grande flexibilidade nos usos dos diversos Espaços e Compartimentos domésticos, considerando-se, naturalmente, que estes últimos também suportam essa flexibilidade ou multifuncionalidade, designadamente, através de boas condições de espaciosidade e capacidade na arrumação de mobiliário.

Renovados objetivos de organização doméstica

Mais do que propor estruturas organizativas domésticas mais ou menos caracterizadas, que terão a ver com os bem conhecidos zonamentos funcionais, de que nos vamos ocupando ao longo deste trabalho - e desta série de artigos -, importa aqui, porque importa cada vez mais, apontar objectivos de organização doméstica que sejam tendencialmente adequados a um maior número e a uma muito grande amplitude de desejos e de gostos habitacionais, considerando, também, a actual e evidenciada mudança de hábitos domésticos que vão hoje marcando os sítios onde vivemos.

Conviver melhor, anular dimensões mínimas e favorecer uma funcionalidade real

Sendo assim, apontam-se, em seguida, alguns aspectos (1) caracterizadores de uma adequada qualificação residencial dos espaços que compõem as nossas casas, talvez aspectos ligados a casas potencialmente mais adequadas:

·      Uma ideia de poder receber e conviver melhor, designadamente, através de boas condições de recepção, no hall/vestíbulo e de um cuidadoso dimensionamento das zonas mais sociais do fogo – vestíbulo, circulações sociais, sala comum e cozinha. Este objectivo pode ser atingido através de "meia-dúzia" de metros quadrados "suplementares" na sala-comum e na cozinha (acima das áreas recomendadas para habitações de baixo custo), desde que as respectivas configurações espaciais e dimensões estruturadoras sejam adequadas. Uma ideia forte em termos dos modos como “aquela” casa poderá apoiar o convívio doméstico, ideia esta que poderá ter de se desenvolver através de compensações dimensionais entre sala comum e cozinha, proporcionando-se, por exemplo, uma ampla cozinha convivial e uma sala mais adequada para o estar e, até, eventualmente, para o trabalho em casa.




·      Favorecer pequenos incrementos dimensionais nos quartos menos amplos, possibilitando mais flexibilidade na arrumação de peças de mobiliário, e optar conscienciosamente sempre que estejam em causa dimensões mínimas. Isto não significa que não se apliquem tais dimensões mínimas em casos específicos quando funcionalmente julgados adequados, o que tem a ver, por designadamente, com a disposição de enfiamentos de camas individuais.

Segundo Sven Thiberg (2) há que aplicar estrategicamente suplementos dimensionais, apurando-se os espaços e compartimentos onde "um metro quadrado extra", suplementar às indicações mínimas regulamentares, pode aumentar significativamente as condições de habitabilidade (acessibilidade, agradabilidade de uso, alternativas de ocupação); uma matéria que tem igual aplicabilidade em soluções habitacionais acima das indicações mínimas.

Estes suplementos dimensionais estratégicos estão associados à capacidade de se integrarem várias sub-zonas funcionais em cada compartimento, uma condição fundamental para a respectiva versatilidade de uso, seja em diversidade de funções, seja em diferentes modos de vida e diversas formas de ocupação por actividades e diversos tipos de mobiliário, condições estas muito interessantes considerando-se, por exemplo, a adequação a diversas minorias étnicas.

·      Favorecer pequenos e funcionais incrementos dimensionais em espaços de circulação, proporcionando que estes espaços ganhem, verdadeiramente, uma outra e importante valência para integração de mobiliário com evidentes ganhos em habitabilidade e apropriação da habitação.
·      Aumentar significativamente a funcionalidade no desempenho das tarefas domésticas e de outras actividades diárias, em toda a habitação, através de uma cuidadosa concepção que evite espaços potencialmente muito cheios de mobiliário e equipamento. (3)

Notas:
(1) Estes aspectos são apontados, sinteticamente, no estudo do LNEC, realizado pelo autor e intitulado “ Do Bairro e da Vizinhança à Habitação”.
(2) Sven Thiberg(Ed.), "Housing Research and Design in Sweden", p. 128.
(3) A funcionalidade estrita de cada Espaço relativamente à(s) sua(s) "função(ões) de base", deve ponderar os seguintes factores: dimensionamento; comandos de instalações "embebidas"; equipamentos fixos; capacidade de integração de mobiliário com diferentes características tipológicas, dimensionais e de quantidades de peças unitárias agregadas ou reunidas; existência de espaços suplementares para (i) mobilar posteriormente, (ii) equipar posteriormente e (iii) movimentar-se e usar adequadamente os espaços.

Notas editoriais:
·          (i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
·          (ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
·          (iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

INFOHABITAR Ano X, nº 497
Artigo LIX da Série habitar e viver melhor

Oferta diversificada de espaços domésticos específicos I

Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura da Universidade da Beira Interior.


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