segunda-feira, setembro 08, 2014

Espaços domésticos comuns - Infohabitar 499

Artigo LXI da Série habitar e viver melhor

Infohabitar, Ano X, n.º 499


Nota prévia do editor da Infohabitar:

No princípio de junho de 2014 foi aqui editado um primeiro artigo sobre a “Formação em Arquitetura na Universidade da Beira Interior (UBI)”, na Covilhã, uma escola de Arquitetura que ajudei a criar, há cerca de 10 anos, e à qual estou atualmente ligado, como professor, coordenador do respetivo Mestrado Integrado em Arquitetura, e para ajudar a estruturar um novo Centro de Investigação, que abranja as áreas da Arquitetura, Urbanismo e Habitat Humano, e apoiar no desenvolvimento de um renovado Doutoramento em Arquitetura.

Outros artigos serão editados nesta revista, visando a divulgação da formação em arquitetura da UBI, brevemente associada a um novo Departamento de Arquitetura, capaz de dinamizar excelentes relações com as Engenharias da UBI, com outras faculdades da mesma UBI e com outras Universidades, Laboratórios, Centros de Investigação e, também em primeira linha, com as  mais diversas entidades sociais e autárquicas, seja no âmbito formativo, seja no quadro do futuro novo Centro de Investigação.

Em toda esta reforçada e renovada dinâmica estão previstas parcerias com a sociedade e a academia, no quadro dos mais diversos projetos e iniciativas, como é, por exemplo, o caso do Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono - CIHEL, cuja terceira edição será, em breve, devidamente anunciada, mas desde já prevista para São Paulo em 2015 -, numa dinâmica que estimule um amplo conjunto de ações e eventos formativos, informativos, técnicos e científicos, que tirem todo o partido das excelentes condições humanas e de instalações existentes na UBI, na Covilhã, bem como do agradável e estimulante ambiente académico, urbano e social que ali se vive.

O Editor da Infohabitar, António Baptista Coelho
Professor catedrático convidado (UBI), investigador principal com habilitação (LNEC), doutor em Arquitectura (FAUP), arquitecto (ESBAL)

Espaços domésticos comuns

António Baptista Coelho

Continuando esta Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar, e neste os seus espaços comuns, vamos, agora, falar com algum detalhe sobre s espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam.
Primeiro viajaremos pelos espaços domésticos comuns, isto é aqueles que são usados por todos os habitantes de uma dada casa ou apartamento numa base geral de uso partilhado e de alguma comunidade, espaços estes que constituirão também, sempre, espaços de oferta a quem chega e que não seja morador, mas sem perder um sentido de intimidade, antes pelo contrário, valorizando-o numa forte relação com a marcação da identidade dos espaços que são nossos.
Depois iremos até aos espaços domésticos privativos, portanto aqueles mais amigos de um uso individual, ou muito ligado ao casal, e onde, também não há que excluir os outros, mas sim acolhê-los marcando, aqui, ainda mais fortemente, aspectos de identidade e de abrigo.
Aponta-se, ainda, que tal como tem vindo a ser feito nesta viagem pelos espaços de um habitar mais "amigo" e mais associado a um dia-a-dia verdadeiramente mais agradável e motivador, não iremos aqui cansar o leitor com listagens funcionais e dimensionais, que são afinal matéria-base dos técnicos que desenham o habitar, e matéria que já foi suficientemente tratada por muitos autores ao longo de mais de cinquenta anos; interessa-nos “o resto”, o “grande resto”, aquilo que faz as casas serem espaços únicos, espaços estimulantes, espaços curiosos, espaços fortemente apropriáveis, a tal “casca de caracol, mas aberta ao mundo”, nas palavras de Amália Rodrigues.

São os seguintes os diversos tipos de espaços domésticos comuns que agora apenas se sintetizam e que, em próximos artigos, iremos pormenorizar caso a caso:



Vestíbulo de entrada

A definição de vestíbulo refere-se ao “espaço entre a via pública e a entrada dum edifício”, ao “espaço entre a porta dum edifício e a principal escadaria interior” e a “uma cavidade orgânica que serve de entrada a outra” (Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Francisco Torrinha, Porto, Domingos Barreira Editor, 1945).
Uma ideia que pode ficar é que o vestíbulo, ou espaço de entrada numa habitação, corresponde a um espaço de limiar e de transição entre o espaço público ou comum (no caso de se tratar de um edifício multifamiliar) e o espaço doméstico privado.





Lavabo

O lavabo é uma pequena casa de banho de apoio, minimamente equipada em termos de equipamentos de banho e higiene pessoal, que serve, essencialmente, a zona mais social da casa e que, por isto, deve ter também objectivos de identidade e apropriação, marcando pela sua localização e pelo seu arranjo os cuidados de recepção.

Corredor e zonas de passagem

Um dos aspectos que continua a ser estruturador de uma boa solução doméstica é que ela se caracteriza por uma economia ponderada de circulações, conseguida através da mínima extensão e do aproveitamento máximo das circulações por corredor (por exemplo por dupla utilidade para circulação e para arrumações em roupeiros) e também mediante a mínima extensão e posicionamento estratégico das eventuais zonas de circulação obrigatória através de compartimentos mais sociais (por exemplo, quartos com acessos através de salas e cozinhas).

Sala ou zona de estar

Há quem diga que o convívio familiar, a actividade que marca em primeira linha a sala de estar ou sala-comum, é uma actividade cada vez menos efectiva. Sinceramente não partilho de tal ideia, que julgo que estará na linha daquelas que face a um problema dele se afastam de forma a tentarem resolvê-lo por não lhe darem atenção.

Cozinha

Cozinha para cozinhar ou para conviver? Uma pergunta que tem como resposta que numa casa é necessário haver um espaço de preparação de refeições, espaço este fundamentalmente funcional e marcado por um dado conjunto de instalações e equipamentos, mas que não deve justificar um dado compartimento, feito dimensionalmente à medida desse conjunto de instalações e equipamentos, como se estivéssemos a conceber uma cozinha de um restaurante doméstico onde, quase sempre, não há “empregados” cuja função é estar nessa cozinha laboratório a preparar as refeições de quem habita aquela casa.

Áreas de serviço para arrumações

A arrumação doméstica é, provavelmente, a função cuja importância tem sido menos evidenciada no conjunto das funções habitacionais, e é aquela cujo evidente teor “funcional”, dimensional e quantitativo, sendo muito claro e crítico, não pode fazer diminuir os respectivos aspectos qualitativos e de opções residenciais ambientais e de vivência.

Verdadeiras pequenas áreas de serviço - Lavandaria e rouparia: 
Habitualmente a lavandaria e rouparia doméstica está associada à cozinha e, eventualmente, a uma casa de banho mais ampla, mas há que manter total independência com os usos ligados à preparação de refeições.

Zona de refeições ou sala de jantar

Numa civilização urbana marcada pela falta de tempo e de convívio, tudo o que se faça para privilegiar o encontro familiar é muito positivo; e como todos temos a noção que as refeições estimulam o encontro e o convívio, então não deve haver quaisquer dúvidas sobre o interesse de se privilegiarem condições domésticas estimulantes para a prática de refeições familiares potencialmente alargadas e conviviais.

Casa de banho

Quando falamos de “casas de banho”, falamos dos espaços que incluem mais instalações de águas e esgotos embebidas na construção, mas faz muito pouco sentido, numa habitação que se deseja possa ser geradora de verdadeira satisfação, fazerem-se “instalações sanitárias”, ostensivamente marcadas pela funcionalidade, pela frieza ambiental e pela “objectividade” das respectiva “peças sanitárias”, tal peças de catálogo em tamanho real.

Varanda e outras zonas exteriores privadas elevadas como pátios e pequenos quintais

O título deste tema não faz justiça à ideia que se tem sobre a importância potencial dos espaços exteriores privados, salientando-se que se considera que estes espaços podem ter uma importância estruturadora da própria organização da habitação, essencialmente no caso das habitações isoladas, mas igualmente em conjuntos habitacionais coesos e mesmo em edifícios multifamiliares em altura.

Virtualidades domésticas do estacionamento em garagem

Este título suscitará, naturalmente, dúvidas, mas a ideia é, simplesmente, que o estacionamento comum em garagem possa ser um espaço, pelo menos, minimamente agradável e com algum carácter doméstico, e deixe de ser uma espécie de “cave” residual, estritamente funcional, por vezes suja e frequentemente mal iluminada e com cheiros, por vezes, menos agradáveis através da qual entramos e saímos, quase sempre, no nosso edifício.

Em próximos artigos desta série iremos abordar cada uma das tipologias de espaços domésticos comuns, aqui apontadas, considerando diversos aspetos tais como: opções mais habituais; frequentes associações funcionais; hábitos interessantes e apectos motivadores; principais problemas; novidades e tendências.


Notas editoriais:
·       (i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
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·       (iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.


INFOHABITAR Ano X, nº 499
Artigo LXI da Série habitar e viver melhor

   Espaços domésticos comuns

Editor: António Baptista Coelho – abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura da Universidade da Beira Interior.


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