domingo, janeiro 25, 2015

Infohabitar, Ano XI, n.º 517

Interrompendo uma sequência de edições dedicadas a esboços de arquitetura/urbanismo retomam-se as edições de textos de conteúdo com mais um artigo da "Série habitar e viver melhor", neste caso sobre escadas e corredores domésticos. 

Com calorosos cumprimentos aos leitores,

O editor da Infohabitar
António Baptista Coelho

Escadas domésticas 
Artigo LXVI da Série habitar e viver melhor

   António Baptista Coelho

Continuando a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar, e neste os seus espaços comuns, vamos, agora, falar com algum detalhe sobre os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam.

Sobre as escadas privativas muito haveria a dizer, e talvez que o mais que se deveria dizer, tal como acontece com muitas outras análises de espaços domésticos que aqui são feitas, é que o mais fácil e o mais simples de considerar são os aspectos dimensionais e funcionais de uma escada doméstica, depois, depois, deles sobra quase tudo; isto, naturalmente, quando se quer tirar um partido máximo, arquitectónico e residencial, de uma escada doméstica.
E a propósito desta ideia basta lembrar que há escadas cujo interesse e cuja beleza são tais que a sua funcionalidade fica claramente relegada para um segundo plano; evidentemente que esta situação poderá tornar a respectiva habitação pouco adequada por exemplo para uma pessoa com dificuldades na movimentação, mas atenção que, mesmo num caso destes poderá haver uma circulação alternativa e uma possibilidade de essa pessoa fazer toda a sua vida doméstica sem ter de recorrer àquela escada.

Fig. 01: Escada doméstica de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H8-12, Arquitetura: Kim Dalgaard, Tue Traerup Madsen.

A escada privativa, a escada no interior da habitação é, assim, tanto um elemento funcional como um elemento simbólico e de apropriação da casa. Isto não significa que o seu desenho não deva proporcionar, por regra, um uso confortável e seguro, mas havendo pessoas com dificuldades na movimentação elas deverão escolher uma casa num único nível ou usar o quarto que desejavelmente deverá sempre existir no nível de entrada de uma habitação em dois níveis.


Fig. 02: Escada doméstica de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 13-14, Arquitetura: Charles Moore, Ruble, Yudell, Bertil Öhrström.

Reduzir o elemento escada doméstica a uma figura estritamente funcional é, assim, arriscar criticamente a possibilidade de uma verdadeira concepção arquitectónica, pois a escada privada pode articular-se com diversos volumes e planos, prolongar-se por paredes, pavimentos e bancos, rodear ou ser rodeada por outros elementos, e, porque, como refere Rob Krier  (1), há grande variedade de tipos de escadas possíveis; destacando, este autor, que as escadas circulares acanhadas são difíceis para pessoas com dificuldades físicas e para o acesso de objectos volumosos e que "deve ser evitada a alternância entre lanços circulares e rectos, porque isso torna muito difícil cada um encontrar o seu próprio ritmo de passo".

Fig. 03: Escada doméstica de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: autoria não identificada.

Ainda nesta matéria do arquitectar de escadas privativas que sejam verdadeiros elementos de arquitectura de interiores, mas que possam oferecer adequadas condições de conforto, e Segundo Lamure, a aplicação de dimensões mínimas de largura nas escadas privativas dos fogos não parece ser um factor negativo, mas a existência de patins intermédios é já um factor importante para o seu uso seguro e agradável. (2)
E assim se sublinha que a escada privativa pode e deve ser um fortíssimo elemento de caracterização do ambiente doméstico, e ainda que por razões de economia ela deva ser barata e discreta, ela deve ser sempre protagonista nesse ambiente.


Fig. 04: Escada doméstica de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - h15-16, Arquitetura: Mats Molén.

Notas:

(1) Rob Krier, "Elements of Architecture", pp. 48 e 49.
(2) Claude Lamure, "Adaptation du Logement à la Vie Familiale", p. 195.


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
·       (i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
·       (ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
·       (iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XI, n.º 517

Artigo LXVI da Série habitar e viver melhor
Escadas domésticas
Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional, Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade da Beira Interior - MIAUBI

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

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