segunda-feira, novembro 20, 2017

Espaços exteriores privados - Infohabitar 619

Infohabitar, Ano XIII, n.º 619
Espaços exteriores privados: novo artigo e links para outros 5 artigos sobre o tema
por António Baptista Coelho

Caros leitores, nesta edição da Infohabitar, depois de uma pequena introdução encontrarão um novo artigo sobre a estimulante temática dos espaços exteriores privados e links para outros cinco artigos sobre o mesmo tema. 

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira. Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos/artigos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas dos espaços exteriores privados, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas matérias. Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados. Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.



São os seguintes os cinco (5) artigos disponibilizados sobre a temática dos “espaços exteriores privados” (basta clicar sobre cada um para aceder ao respectivo texto):

        Importância dos pequenos espaços exteriores privados

        Repensar os espaços exteriores privados

        Motivar o uso dos espaços exteriores privados

        Problemas, apropriação e caracterização do exteriores privado

        Inovar no exterior privado

(novo artigo)

As temáticas associadas e associáveis à matéria geral da habitação e, designadamente, ligadas à matéria específica dos “espaços exteriores privados” são extremamente amplas, sensíveis e significantes e não queremos correr o risco de dar a ideia de as irmos tratar de forma exaustiva; iremos assim abordar, a propósito, alguns tópicos considerados talvez mais relevantes e/ou oportunos, hoje em dia, e deixar algumas reflexões e ideias como pistas para posteriores incursões teórico-práticas.

É interessante recordar que, por regra, a habitação esteve sempre associada a um espaço exterior, que era mais ou menos privatizado e onde decorriam muitas actividades directa e indirectamente domésticas, tendo sido o edifício multifamiliar a solução que tendeu a realizar a separação entre habitação e exterior privado, uma invenção, que embora tendo tido casos de referência em antigas cidades, como foi o caso da velha Roma ( com as insula/insulae que consistiam em grandes edifícios em andares, verdadeiros quarteirões que integravam apartamentos insalubres e inseguros no que se refere a incêndios) e talvez mesmo em outras civilizações da antiguidade, só teve, como é sabido, uma aplicação generalizada, extensiva e massiva a partir de finais do século XIX e especialmente ao longo do século XX, com destaque especial para os processos massivos de realojamento que marcaram a Europa na segunda metade do século passado.

Não iremos fazer aqui qualquer aprofundamento deste assunto, aliás bem sensível, interessante e rico, tendo sido objectivo deste breve apontamento focarmo-nos nessa separação entre habitação e espaço exterior privado térreo, e partir daqui para se anotar que a relação com o exterior privado se manteve, então, depois, no âmbito das soluções multifamiliares, em pátios/quintais relativamente reduzidos, varandas, balcões e terraços.

Fig.01: é extremamente interessante o potencial funcional e ambiental proporcionado por adequados espaços exteriores privados; neste caso uma varanda funda.


É um pouco óbvia esta reflexão, mas é interessante pois, como sabemos, esta “evolução” tipológica realizou-se não só por ser quase tão caro fazer varandas como fazer espaço interior doméstico, preferindo quase sempre os moradores e as entidades responsáveis por grandes processos de realojamento este último, mas também, por vezes, numa “evolução” de afastamento  da relação com o solo, que é quase uma negação das velhas tipologias habitacionais fortemente ligadas à terra e, frequentemente, de histórias pessoais e familiares marcadas por expressiva e prolongada pobreza.

E, no limite, “esta evolução” influenciou, frequentemente, a geração de espaços pseudo-urbanos  em que blocos de apartamentos sem varandas, ou com patéticas varandas, patologicamente repetidas, tantas vezes quase de cima abaixo dos edifícios, estavam e estão rodeados de espaços “ditos públicos”, expressivamente residuais, porque sem utilidade aparente e, tantas vezes, ao abandono ou equipados para usos que pouco ou nunca aí acontecerão. Naturalmente, que esta não será a regra geral, mas é, infelizmente situação muito frequente e que, por vezes, tem variações marcadas pelo desenvolvimento de espaços públicos exageradamente extensos e mal concebidos, obrigando a grandes despesas de manutenção.

Mas voltando ao tema-base desde artigo, os espaços exteriores privados, o que se retira desta última reflexão é que, com a aplicação massiva do edifício multifamiliar em altura, os espaços exteriores privados foram, por regra, extremamente reduzidos ou mesmo anulados, sendo, de certa forma, substituídos por espaços públicos que apenas em casos de referência, resultantes de excelentes práticas urbanas, terão de algum modo substituído ou compensado a significativa ausência desses exteriores privados; e entre nós Alvalade e Olivais Norte, mutuamente distintos, são excelentes casos de referência que nunca será demais visitar e estudar - embora Olivais Norte esteja, desde há anos, remetido a um inexplicável esquecimento em termos de manutenção básica.

Naturalmente que estamos aqui a “agudizar”, apenas um pouco, estas notas, exactamente, para tentarmos chegar a algumas ideias mais significativas e práticas, que passamos a apontar.

Em primeiro lugar salientam-se os muitos casos em que houve a total anulação de espaços exteriores privados, “arrumando-se” as pessoas em espaços domésticos patologicamente interiorizados em que nem é possível colocar um pé “fora de casa” (nem em simples e baratas pequenas varandas de assomar, aliás arquitectonicamente muito ricas), num contraste total e perigoso com uma tradição doméstica com cerca de 10.000 anos; e tal situação será mesmo patológica e potencialmente “explosiva”, quando a habitação é imposta ao morador e este acaba de sair de soluções habitacionais térreas e ligadas directamente ao exterior (ex., casos de realojamento em altura).

Em segundo lugar há que referir um conjunto de aspectos interligados:

- um certo desinteresse pelos espaços exteriores privados e em zonas climáticas em que eles são muito adequados durante um largo período do ano, como é o caso de Portugal;

- uma frequente ausência de adequação climática dos mesmos (ex., abertura de varandas a Norte);

- um, frequente, mau entendimento dos seus amplos potenciais em termos de apropriação pelos moradores, evitando-se, por exemplo, a criação de pequenos pátios/quintais privados térreos, porque há riscos da sua má utilização – e os riscos são reais, mas devem ser previstos, reduzidos e combatidos e não serem tomados como razão para não se desenvolverem estas excelentes soluções;

- uma frequente, para não dizer quase genérica, ausência de conhecimento sobre as importantes virtudes das varandas como “climatizadoras” dos compartimentos contíguos (sombreando-os e protegendo-os), sendo sabido que uma boa varanda, associada a uma boa estratégia de ventilação interior, pode ter um resultado, em termos de conforto ambiental, idêntico ou melhor do que uma solução de climatização mecânica;

- e, finalmente, mesmo uma cultura doméstica que subalterniza o exterior privado, não o mobilando e equipando e, frequentemente, fechando-o, tantas vezes com péssimas soluções de marquises, que prejudicam o conforto ambiental interior e destroem a arquitectura da fachada do edifício, e que, tantas vezes, são depois utilizadas como arrumações de trastes, visíveis do exterior.


Fig 02: e é igualmente muito interessante o potencial ambiental, genérico, em termos de conforto ambiental, mas também de caracterização arquitectónica e doméstica, que é proporcionado, ao interior da habitação, por adequados espaços exteriores privados; neste caso uma varanda funda. 


Um outro, muito importante, aspecto fundador e justificador do relevo que há que atribuir aos espaços exteriores privados é o seu papel directo como base de um estimulante leque de actividades domésticas, simultaneamente, com o seu importante papel, como “capa” simbólica e fisicamente protectora do interior doméstico, e como zonas/franjas ou “pontos” privilegiados de relação, de transição, de “passagem”, de encaminhamento ou enquadramento de vistas, e esta é, provavelmente, uma das principais matérias da Arquitectura – e é interessante considerar que bastaria este aspecto para justificar o interesse do desenvolvimento de espaços exteriores privados de transição entre interior doméstico e espaços de uso público.

Uma matéria que importa sublinhar é que numa sociedade cada vez mais marcada por actividades privadas e interiores, e por pessoas fechadas em si próprias e servidas por ofertas que estimulam essa “reclusão” (ex-, tv, TICs), tudo o que se possa disponibilizar no sentido de incentivar o contacto das pessoas com o exterior, através de estimulantes zonas e espaços de transição, é um caminho arquitectónico a privilegiar, pois assim se pode amenizar essa tendência, hoje tão forte, de termos muitas pessoas fechadas em suas casas e em si mesmas.

E a propósito dessa função de relação/transição entre interior e exterior que é fortemente assumida pelos espaços exteriores privados, é também interessante registar que é possível desenvolver vãos de janelas, cujas características sejam quase de estimulantes espaços “bolha”, que sendo basicamente interiores, são também ambientalmente exteriores; e entre estas soluções há que destacar as interessantes e entre nós tão pouco aplicadas bay-windows.

Um outro aspecto que pode ser servido por uma adequada concepção de espaços exteriores privados na contiguidade dos respectivos espaços domésticos, corresponde ao desenvolvimento de um leque conjugado de relacionamentos, mais fortes/próximos e mais ténues/afastados/profundos, entre os ambientes domésticos e os espaços de uso público contíguo; um processo que corresponde, naturalmente, a “boa arquitectura”, tal como muito do que aqui tem sido apontado,  e que nada tem a ver com a “robótica” repetição de inúmeras varandas, sobrepostas, perfeitamente iguais e mal concebidas (ex., será possível desenvolver uma gradação de relações entre espaço público e privado/interior, começando com profundos pátios/quintais, que passam, superiormente, a terraços, depois a varandas fundas, e ainda depois a varandas menos fundas, etc.).

Naturalmente, é fácil e estimulante imaginar que todos este processo de concepção espacial e construtiva pode e deve ser aliada com uma estratégia de integração de elementos naturais, conseguindo-se, “no limite”, soluções de extrema integração entre grandes massas de construção e grandes “capas” naturais, baseadas, tanto na envolvente de uso público, como nos espaços privados exteriores ou semi-interiores e mutuamente agregados, em altura e horizontalmente.

E nunca será excessivo salientar a importância que tem a relação com a natureza, designadamente, no que se refere a urbanitas cada vez mais ligados à cidade e a tecnologias desligadas da natureza; e neste aspecto os espaços exteriores privados podem e devem ser verdadeiros contentores de uma natureza “limitada”, mas vital em termos de saúde/bem-estar e de capacidade de apropriação pelos moradores – o verde doméstico é um dos principais aspectos de exercício de uma capacidade de apropriação e identificação com a sua habitação, e que, cumulativamente, pode melhorar muito a qualidade visual do respectivo edifício.

Ainda outro importante aspecto a ter em conta nesta matéria, refere-se à condição de a diversidade das soluções de espaços exteriores privados serem, muito provavelmente, uma das principais ferramentas do desenvolvimento da urgente diversificação tipológica habitacional e urbana, pois eles funcionam, entre outros aspectos, como verdadeiras “charneiras e capas” potencialmente transformadoras das tipologias habitacionais e urbanas, seja nos seus aspectos de conteúdo espaço-funcional próprios, seja nos seus mecanismos de agregação e integração mútua, seja nos seus aspectos de caracterização visual exterior e pública; e esta é daquelas matérias que justificará desenvolvimento em artigos próprios.

Uma tal diversificação tipológica pode produzir excelentes soluções de transição uni/multifamiliar, associáveis a unifamiliares densificados e a multifamiliares caracterizados por baixa/média altura e alta densidade; e em todos estes tipos de agregações os diversos tipos de espaços exteriores privados são elementos arquitectonicamente protagonistas (ex., pequenos quintais, pátios, terraços, balcões, varandas fundas, varandas salientes, varandas de assomar e cuidadosos vãos de janela).

E, naturalmente, todos este caminho conceptual tem relação directa com os actuais caminhos de densificação estratégica e de acentuação de uma adequada imagem urbana; mais uma matéria a desenvolver em futuros artigos.  
   
Ainda antes de concluir esta reflexão faz-se aqui referência à complexidade conceptual do desenvolvimento desta diversificada tipologia de agregados espaciais, uma complexidade que será, no entanto, suavizada, pela utilização dos actuais processos informatizados de projecto.

E para concluir, importa, assim, sublinhar a importância do desenvolvimento de pequenos e diversificados espaços exteriores privados, que há que repensar e redescobrir, nos seus usos tradicionais e em novos e estimulantes usos residenciais (ex, no Brasil é, actualmente, frequente a previsão de grandes/fundas varandas protegidas, naturalizadas e equipadas para a preparação e o tomar de refeições em grupo), sendo essencial garantir a sua boa apropriação, combatendo-se activamente os usos indevidos e inovando-se, seja nos próprios espaços e seus conteúdos espaço-funcionais, seja no seu protagonismo na criação de renovadas tipologias habitacionais e urbanas.

e a estas matérias relativas aos “espaços exteriores privados”, voltaremos (mas nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um conjunto interessante de reflexões).

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 619
Espaços exteriores privados: 5 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Casas de banho domésticas - Infohabitar 618

Infohabitar, Ano XIII, n.º 618

Casas de banho domésticas – 2 artigos sobre o tema e um novo texto

por António Baptista Coelho

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição (a enviar para abc@lnec.pt).
Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, de uma adequada inovação nos espaços de arrumação e instalação de máquinas domésticas, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.

Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caracterizam cada fogo/habitação, através de compilações de artigos antes editados e agora complementados com novos textos e de artigos nunca editados.
Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os dois (2) artigos disponibilizados sobre o tema ““casas de banho domésticas” (basta clicar sobre cada um para aceder ao respectivo texto):


Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, sobre a matéria específica associada às “casas de banho domésticas” importa, desde logo, salientar que estamos a visar e a pensar sobre espaços domésticos e não sobre “instalações sanitárias” disponibilizadas num qualquer equipamento colectivo – e mesmo aqui será de reconsiderar uma abordagem excessivamente funcionalista do assunto, isto se o objectivo for a (re)dinamização de um uso intenso e frequente do mesmo equipamento (ex., um dado espaço público equipado).

Esta é uma questão básica quando se abordam as, julga-se mal designadas, “instalações sanitárias” domésticas, uma designação que remete directamente para o conteúdo funcional de lavatórios, sanitas e duches – pois, no limite, e em termos funcionais, mesmo a banheira pode ser considerada funcionalmente supérflua; uma questão básica pois tratamos de espaços que têm de estar bem integrados e que têm de valorizar e participar na capacidade de atracção e de apropriação que deve caracterizar cada habitação e, ainda, porque tratamos de espaços com expressiva e longínqua carga cultural associada, é certo, à higiene pessoal, mas também aos cuidados de beleza e, evidentemente, à própria história do “banho”, que é fundamental numa renovada humanização das nossas habitações e que associa, quer aspectos de saúde específicos (ausentes no duche), quer aspectos de lazer e de agradabilidade pelo menos tão importantes como os de higiene pessoal e de saúde.

Um outro aspecto interessante e que determina a importância que importa atribuir às casas de banho domésticas é o seu potencial para um arranjo específico e agradavelmente contrastante com os dos restantes espaços da habitação, uma condição que depende, no entanto, da atribuição às casas de banho de espaços e posicionamentos adequados e condignos, designadamente, no que se refere à existência de janelas exteriores, disponibilizando abundante luz natural e ventilação e proporcionando o destacar dos arranjos desenvolvidos e especificamente a boa integração de plantas e outros elementos naturais.


Esta última matéria liga-se, assim, à consideração dos espaços de casa de banho domésticos com um efectivo sentido de importância e representatividade, um sentido bem distinto daquela ideia, tantas vezes aplicada, da integração de tais espaços quase em espaços domésticos sobrantes/residuais e caracterizados por dimensões quase mínimas ou mesmo mínimas – habitualmente marcadas pela dimensão maior de uma banheira média ou pequena.

E assim se chega à questão dimensional que é crucial na concepção das casas de banho domésticas, actualmente marcadas pelas exigências dimensionais para a manobra de utentes em cadeiras de rodas, mas que deveriam, igualmente, considerar a integração de uma bancada de lavatório espacialmente folgada e atraente, assim como de algum mobiliário de apoio e representativo, de uma zona de banhos adequadamente dimensionada e bem colocada e de uma zona de sanita que, sendo possível, poderá ser estrategicamente destacada da referida zona de banhos.

Quanto à pormenorização das casas de banho domésticas refere-se, apenas, que já é tempo de, aproveitando-se tantos novos e excelentes materiais, visar a harmonização entre as questões de boa durabilidade e manutenção, a presença frequente de humidade e água em estado líquido e um ambiente caracterizadamente agradável, acolhedor e atraente. Ainda nesta matérias será sempre importante, sendo possível, ter em conta os traçados de canalizações, através de adequados registos e/ou de soluções de integração específicas que possam depois facilitar eventuais acções de intervenção.

Naturalmente que tais exigências de domesticidade e atractividade das casas de banho se poderão centrar estrategicamente na principal casa de banho da habitação, sendo possível realizar soluções muito variadas e alternativas nos casos em que existam casas de banho privativas de quartos e podendo avançar-se para uma “super-caracterização” doméstica dos pequenos lavabos, quando estes existam, desenvolvendo-os em grande ligação com os espaços mais sociais da habitação.

Importa, finalmente, referir a importância de uma adequada capacidade das casas de banho domésticas para integrarem mobiliário complementar e/ou mesmo alguma maquinaria doméstica associada, designadamente, ao tratamento de roupas, situação esta última que, sendo possível, poderá proporcionar uma estratégica libertação da zona de cozinha relativamente a estas funções.

A título complementar importa, ainda, referir a grande importância que tem a possibilidade de capacidade de evolução nos vários equipamentos da casa de banho doméstica, seja no sentido de se proporcionarem apropriações episódicas específicas, seja com o importante objectivo de se proporcionar a gradual adequação das casas de banho aos respectivos utentes que envelheçam na mesma habitação; uma condição muito importante para se proporcionar esta adequação no tempo, visto que a adequação para habitantes idosos se deve desenvolver em boa parte em ligação com os espaços e equipamentos das casas de banho e com as suas condições de segurança no uso normal.

e a estas matérias relativas às “casas de banho domésticas”, voltaremos (mas nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um conjunto interessante de reflexões).


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 618
Casas de banho domésticas: 2 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

quarta-feira, novembro 08, 2017

Em memória do grande amigo Arquitecto João Gonçalves Moreira




Em memória do grande amigo Arquitecto João Gonçalves Moreira


São sempre muito tristes estas notícias, mas têm de ser dadas, e muito especialmente quando se trata de um grande amigo.

Na madrugada do passado dia 6 de Novembro de 2017 partiu, o grande e "velho" amigo João Moreira, o Arquitecto João Nuno da Silva Gonçalves Moreira, alguém que conheço e tenho como amigo há cerca de 50 anos, tendo sido, depois, Padrinho do José, o meu filho mais novo.
O João, o João Nuno, o João Moreira e, para mim (durante cerca de 50 anos) e para minha família, o Moreira, é alguém que fica para sempre muito vivo e muito presente nas nossas vidas e na minha vida, e digo-o porque para além da sua presença contínua na nossa memória, que sempre ficará, sem qualquer dúvida,  ele marcou as nossas vidas com a sua amizade, simpatia, gentileza e alegria.
Também marcou muito todos os sítios por onde passou como Arquitecto e marcou aí também, com todas essas qualidades mais as do profissionalismo, da competência e as do raro equilíbrio entre ser um excelente profissional sendo, sempre, um homem muito amigo, alegre e um verdadeiro cavalheiro.
À família enlutada os respeitos sentidos deste velho amigo do João, que sinto, realmente, como irmão, e que quero acreditar que noutras paragens encontrou a paz e a felicidade bem merecidas, para além de mais algumas excelentes e longas novas viagens.

Não me tinha passado ontem pela cabeça, quando comecei a alinhar estas palavras, mas, quem sabe por um estranho acaso na mesa de trabalho doméstica ainda não tinha arrumado o grande “O Regresso dos Remadores” do poeta João Miguel Fernandes Jorge; outro João; e quando o abri, também “quase” por acaso, li as seguintes palavras, que iniciam um dos poemas do livro (também, por acaso, ligado a um outro João), e que aqui transcrevo em memória e em honra bem vivas do João Moreira e com as devidas referências ao respectivo autor:

“Os anjos estão sobre o teu leito
e cantam algum amor de ocasião.
Por toda a vila até ao amanhecer
O grito rouco das aves
[…]”
(*)

Um grande, grande abraço do António Baptista Coelho, querido amigo Moreira e até um dia, e muitos abraços e saudades da Isabel, do José e da Bia, do Pedro, e do Paulo e da Jeni mais a Alice,


(*) João Miguel Fernandes Jorge - O Regresso dos Remadores -  poema “No túmulo de João de Noronha uma canção de embalar” (p. 62); N.º 14 da Colecção Forma, Editorial Presença, Lisboa, 1982 (impresso no Porto).

segunda-feira, novembro 06, 2017

Arrumações e máquinas domésticas: da adequação à inovação - Infohabitar 617


 Infohabitar, Ano XIII, n.º 617

Inovar na arrumação doméstica – 5 artigos sobre o tema e um novo texto

por António Baptista Coelho

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição (a enviar para abc@lnec.pt).

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, de uma adequada inovação nos espaços de arrumação e instalação de máquinas domésticas, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.

Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caracterizam cada fogo/habitação, através de artigos nunca editados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os cinco (5) artigos disponibilizados sobre o tema “inovar na arrumação doméstica:

Arrumação domésticas: aspetos gerais

Versatilidade da arrumação doméstica

As máquinas domésticas

Arrumações domésticas: aspetos inovadores

Lavandaria doméstica


Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, sobre a matéria específica associada às arrumações e máquinas domésticas, sua adequação e inovação uma primeira reflexão está associada ao “partido” que pode/deve ser seguido quando se desenvolve a capacidade doméstica nos seus aspectos ligados às necessidades de arrumação e de integração de máquina domésticas; e, desde já, se sugere que esse “partido” deva privilegiar o subjugar das respectivas funcionalidades, em termos visuais e de expressão/presença na habitação, a uma caracterização dos respectivos espaços e pormenores como sítios de habitar de uma pessoa e/ou de uma família, bem humanizados, marcados por um sentido de habitar “não maquinal” e por variados aspectos associáveis à identidade desses locais/elementos e à sua expressiva apropriação como espaços “únicos”, verdadeiramente amigáveis, envolventes, aprazíveis e veículos da identidade de cada um de nós e dos nossos agregados familiares.


Esta atitude ou opção não significa que não possamos optar por uma arquitectura de interiores fortemente minimalista e racionalizada, e eventualmente pontuada por algumas elaboradas peças de mobiliário e por peças/máquinas domésticas marcadas igualmente por idêntico minimalismo ou racionalismo, sendo esta uma entre múltiplas opções possíveis, mas sendo aqui este carácter “limpo” ou racional tomado como uma forma específica e própria de se entender e viver a referida “domesticidade”, e sendo esta uma opção totalmente distinta de intervenções em que espaços e elementos de arrumação e soluções de integração de máquinas domésticas são, claramente, desenvolvidos como elementos “colados”, suplementarmente, aos respectivos espaços domésticos, sem um mínimo de cuidados de boa integração, visual e até por vezes funcional, e bem longe de serem considerados como elementos verdadeiramente integradores da respectiva proposta arquitectónica.

Um outro aspecto, ou um outro novelo de aspectos, liga-se à(s) natureza(s) da “arrumação” e da capacidade de arrumação, sendo importante considerar que ela se deve subdividir e disseminar, estrategicamente, pela habitação e, depois e também estrategicamente em cada compartimento e espaço específico habitacional; uma matéria que tem sido, longamente, desenvolvida por muitos estudos funcionais.

É, no entanto, oportuno ter bem em conta a estruturação da arrumação doméstica em quatro grandes categorias, que são, em seguida, relembradas:

(i) A capacidade de mobilar os diversos compartimentos e espaços, associada, designadamente, à expressiva disponibilização de paredes para encostar mobiliário, mas também associada a questões de dimensionamentos versáteis, que proporcionem, por exemplo, mobilar e circular, e ainda associada a adequadas relações geométricas entre paredes e vãos de janela e de porta, proporcionando a sua manobra mas também a boa integração de mobiliário (ex., aproveitando bem os cantos dos compartimentos).

(ii) A capacidade para arrumações “especializadas” em equipamentos domésticos específicos como são os roupeiros embutidos e os armários fixos, equipando, designadamente, quartos, cozinhas e casas de banho; trata-se, na prática, de uma espécie de “mobiliário fixo”, sendo, por isso importante considerar, adequadamente, a sua capacidade e versatilidade de associação com elementos de mobiliário escolhidos pelos habitantes e que devem poder marcar a apropriação e identificação de todos os espaços da habitação; e esta categoria de arrumação doméstica leva-nos longe nas suas subcategorias mais ligadas às cozinhas e à tradicional despensa de apoio à cozinha, aos quartos, aos corredores, etc.

(iii) A capacidade para a boa integração de um expressivo leque de maquinarias domésticas, habitualmente instaladas em forte integração com os armários de cozinha, mas que poderão ser, também, em parte, instaladas, positivamente, em outros espaços da habitação, como acontece com as máquinas associadas ao tratamento de roupas, que poderão ser eventualmente integradas em espaços próprios de lavandaria ou mesmo em armários de grandes casas de banho, com a vantagem no sentido de se separarem estas funções das de preparação de refeições.

(iv) E ainda a capacidade de arrumação geral doméstica, por sua vez repartível no apoio ao interior ou ao exterior da habitação; uma capacidade que pode ter expressiva diversidade e especialidades.

De uma forma geral há que sublinhar a grande importância da boa disponibilização de uma boa capacidade de arrumação para a boa vivência funcional e ambiental do conjunto dos espaços da habitação, municiando as diversas funções domésticas, em cada sítio, com os respectivos apoios funcionais e libertando os espaços domésticos para a sua adequada e variada fruição de uma forma “solta” da convivência com uma enorme quantidade de elementos e objectos que vamos acumulando, praticamente de forma involuntária nas nossas habitações.

Estas matérias evidenciam a importância da versatilidade da arrumação doméstica, sendo que uma tal versatilidade deve ser sempre marcada por uma expressiva ergonomia nos seus aspectos mais gerais e de pormenor.

De certa forma e mesmo que se defenda uma vida doméstica o mais possível racionalizada e liberta de muitos objectos e elementos acessórios há que ter em conta que eles vão existir, uns mais necessários e outros menos, e que, à medida que envelhecermos iremos juntar mais outros elementos desses vários tipos e se não existir capacidade de arrumação e mesmo potencial para um gradual aumento dessa capacidade tenderemos, frequentemente, para espaços domésticos excessivamente preenchidos e consequentemente pouco funcionais e mesmo difíceis de habitar e harmonizar, designadamente, com situações em que os habitantes tenham dificuldades de movimentação e de manuseio.

Chegámos, assim, a uma matéria que exige abordagem específica e que corresponde às características espaciais e funcionais domésticas mais adequadas para pessoas idosas ou condicionadas na sua movimentação; uma matéria que encontra na capacidade de arrumação doméstica um tema crítico: seja pela importância que tem um ambiente doméstico bem arrumado e desafogado para a boa vivência de pessoas com tais condicionalismos; seja porque estes habitantes têm exigências específicas no manusear dos mais diversos elementos de arrumação (ex., alturas para aceder a prateleiras e usar máquinas), e dos associados planos de trabalho (ex., bancadas de cozinha e de casa de banho); seja porque podem existir necessidades específicas para mobilar compartimentos e outros espaços domésticos (ex., camas articuladas). E em tudo isto importa considerar que uma adequada funcionalidade para pessoas com movimentação condicionada corresponde, por regra, a uma excelente funcionalidade para todos.

Finalmente faz-se uma nota específica para a necessidade de se harmonizar toda esta desejavelmente excelente, diversificada e versátil capacidade de arrumação doméstica, com uma igualmente excelente capacidade de apropriação doméstica, um equilíbrio que pode ter múltiplas respostas (ex., casos-limite de grandes extensões de parede falsa que na prática correspondem a longas baterias de armários altos, visualmente escondidos), mas que, na prática não deve obrigar, a partir de opções formais muito expressivas, a leques apertados de opções formais em termos de mobiliário e elementos de decoração a escolher pelos moradores; defendendo-se, assim, um partido neutral e muito sóbrio nas escolhas arquitectónicas associadas a elementos de “mobiliário fixo”, ou, opcionalmente, à escolha dos habitantes entre um dado leque de opções apresentadas pelo projectista; e, sempre, uma adequada e ampla disponibilização de “boas paredes” potencialmente mobiláveis e apropriáveis.

e a estas matérias relativas às arrumações, apropriações e máquinas domésticas, voltaremos (mas nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um amplo conjunto de reflexões).

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Infohabitar, Ano XIII, n.º 617
Inovar na arrumação doméstica – 5 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
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Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.