segunda-feira, outubro 30, 2017

Inovar no espaço da cozinha doméstica - Infohabitar 616

Infohabitar, Ano XIII, n.º 616

Inovar no espaço da cozinha doméstica

– 4 artigos sobre o tema e um novo texto
por António Baptista Coelho

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição (a enviar para abc@lnec.pt).

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, de uma adequada inovação nos espaços de cozinha doméstica, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas apaixonantes matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.

Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caracterizam cada fogo/habitação.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os quatro (4) artigos disponibilizados sobre o tema “Inovar no espaço da cozinha doméstica:
Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, ao conjunto de actividades que se desenvolvem habitualmente ou que se poderão desenvolver em espaços de cozinha doméstica, podemos referir, em primeiro lugar, a importância da cozinha como espaço convivial; uma importância que marcou o espaço de cozinhar doméstico desde sempre, pois, na prática, foi este, com naturalidade, o espaço doméstico convivial de eleição na maioria das famílias, só não o sendo em situações de separação entre quem cozinhava e quem tomava as respectivas refeições, portanto quando da existência de empregados domésticos com a finalidade de preparar e servir as refeições; e a esta importante finalidade convivial do espaço de cozinha voltaremos mais à frente neste texto a propósito de variados subtemas, como são, por exemplo, o habitar dos pequenos agregados familiares e o habitar de “interesse social”.



Cruzando esta última reflexão com a nossa história próxima associada à habitação funcionalista, teremos uma altura em que se avançou e bem para a facilitação dos trabalhos domésticos, de certa forma, “maquinizando-se” os trabalhos associados à preparação e ao servir de refeições, e, no limite, atingindo-se aquilo que é frequentemente designado de “cozinha laboratório”, numa evolução que tem os seus aspectos muito positivos associados à adequada racionalização dos trabalhos de preparação e servir refeições, que são dos trabalhos domésticos mais “pesados”, mas que, por vezes, esquece que quem trabalha na cozinha de hoje e na esmagadora maioria das nossas habitações não são empregados domésticos, mas sim todos nós os membros dos respectivos agregados familiares; e que, por isso, há que harmonizar essa essencial e específica funcionalidade – que está aliás associada a outros aspectos funcionais domésticos muito importantes, designadamente, na área das arrumações especializadas – com a continuidade da integração de quem cozinha e serve refeições no âmago do respectivo agregado familiar, em termos de continuidade do respectivo convívio e do acompanhamento familiar específico de idosos e crianças.

Esta é uma matéria fundamental numa boa habitação, mais amigável, mais convivial mais familiarmente integrada e acredite-se que é matéria frequentemente muito descuidada, em favor da, naturalmente, muito mais simples racionalização das operações de preparação e serviço de refeições.

Na prática trata-se de manter na cozinha a sua velha e natural função de convívio familiar enquanto se preparam e tomam refeições, um convívio bem natural e efectivo desde o princípio da evolução do homo sapiens, quando inventámos o uso do fogo para cozinhar e a propósito do fogo e do conforto e segurança que nos dava, ficávamos em companhia e a comunicar mais um pouco pela noite dentro.

 Para tal as nossas cozinhas têm de ter espaço adequado para uma mesa de refeições, que aliás pode ser também espaço para preparar refeições, ou, em alternativa, pode existir um amplo espaço de cozinha e refeições, estimulantemente caracterizado como “sala de família”.
Naturalmente que para se dinamizar o convívio nos espaços de cozinha estes devem ter ambientes adequados e confortáveis, sendo que será importante que as condições de tiragem de fumos e cheiros, as condições de integração de máquinas e os seus potenciais ruídos e , globalmente, as condições de conforto ambiental aí proporcionadas, sejam devidamente consideradas pois de contrário as cozinhas não são atraentes para o convívio familiar e alargado.

Considerando estas matérias de conforto ambiental e funcional na cozinha e do desenvolvimento de espaços de cozinha convivialmente atraentes, importa salientar, desde já, que, frequentemente, são integradas na cozinha funções domésticas pouco compatíveis com a preparação e o servir de refeições; estamos a considerar, designadamente, as funções ligadas ao tratamento de roupa, que poderão e deverão ter espaços específicos de exercício, mas também algumas funções associadas a uma arrumação geral, por vezes também pouco compatíveis com uma sua grande integração no espaço da cozinha.

De certa forma estaremos aqui no âmbito do que se poderá considerar como algumas confusões em termos de misturas funcionais domésticas realmente pouco compatíveis, mas que encontram no espaço de cozinha e mal-usando-se simples justificações funcionais, o espaço que sobra e que dá jeito para libertar os outros espaços da habitação; isto, naturalmente, quando em quadros de áreas domésticas marcados por áreas e dimensões mínimas – na prática a cozinha, assim como outros espaços domésticos, “estrategicamente” considerados muito funcionais (como as chamadas “instalações sanitárias”) acabam por ser as zonas em que se reduzem, frequentemente, e logo à partida áreas e dimensões, justificando-se esta opção com aspectos funcionais, que na prática são muito limitados, porque ou não integram importantes funções como é o caso das refeições (ditas “correntes”), ou integram-nas mas com áreas frequentemente tão reduzidas e residuais que acabam por resultar na integração de minúsculas mesas em que cada um pode eventualmente tomar uma refeição, mas sozinho.

E estamos a pensar em refeições na cozinha, mas poderíamos pensar em passar a ferro na cozinha e no estar informal na cozinha e até – mas com todos os necessários cuidados de segurança – o brincar infantil na cozinha ou pelo menos o fazer os trabalhos de casa na cozinha; ou tudo isto numa cozinha/sala de família.

Esta tendência de “pequenez” dimensional que tanto afecta, frequentemente, a concepção do espaço de cozinha doméstico e que, aliás, tem até base regulamentar – regulamento realizado em pleno período funcionalista – acaba por afectar, frequentemente, o desenvolvimento de espaços de cozinha em habitações sem grandes limitações espaciais onde não há o suplemento funcional, ambiental e de alma para reinventar e retomar o fazer de “uma cozinha” que possa até constituir um dos corações caracterizadores da habitação.
    
O que se tem estado a referir sobre o que se pode designar o recuperar de uma cozinha estrategicamente multifuncional liga-se a um oportuno objectivo de quase-duplicação dos espaços conviviais e sociais domésticos, proporcionando-se que a sala-de-estar possa ser usada de variadas formas e de acordo com grande variedade de gostos e modos de habitar; com variados exemplos de apropriação entre os quais se referem a criação de uma zona de estar muito associada à leitura e/ou à televisão e/ou à audição de música, ou o desenvolvimento de uma sala de estar bastante formal e “de visitas”, marcada por mobiliário “especial”, ou ainda o desenvolvimento de uma zona de estar multifuncional e frequente usada como espaço de trabalho profissional e/ou como espaço de estudo dos jovens; e atenção que será sempre possível integrar numa sala como estas uma mesa (ex., escamoteável ou extensível) para se usar em refeições mais formais e em datas especiais. E naturalmente que este sentido de cozinha multifuncional é muito oportuno quando estamos a lidar com áreas controladas (“habitação de interesse social”).

Em todas estas perspectivas de uma renovada e adequada concepção do espaço de cozinha há um aspecto a sublinhar, que é vital e que se refere ao desenvolvimento, na cozinha, de um espaço doméstico verdadeiramente acolhedor, seja nos seus aspectos estruturantes e organizativos, seja no que se refere ao respectivo conforto ambiental (luz natural, higrométrica, conforto sonoro), seja no desenvolvimento de agradáveis relações visuais com o exterior da habitação e com os seus outros espaços interiores, seja em todos os seus respectivos aspectos de pormenorização e de equilibrada capacidade de apropriação (ex., sítio para introduzir vasos com plantas, sítio para introduzir um móvel de família, etc.).

Esta última matéria daria(dará!?) um artigo e, portanto, aqui não é desenvolvida, limitando-nos a referir que este sentido de expressiva  criação, na cozinha, de um espaço doméstico verdadeiramente acolhedor, está, frequente, nos antípodas, do que habitualmente se fazia – e não só em habitação de interesse social –, quando se desenvolviam espaços de cozinha estritamente funcionais em termos de dimensão, de ambiente e de relacionamento (que poderiam até ser designados como “instalações para cozinhar”, a exemplo das designadas “instalações sanitárias”).

Ainda sobre a cozinha há duas matérias que importa, desde já, apontar e que poderão merecer, depois, desenvolvimentos específicos: trata-se da cozinha para os idosos e da cozinha para quem pouco cozinha, porque compra habitualmente refeições pré cozinhadas ou até, raramente, toma refeições em casa.

A noção que parece prevalecer no que respeita à caracterização de uma cozinha bem adequada para pessoas idosas, é que ele deve ser tão segura e expressiva e funcionalmente adaptada no sentido de se facilitarem e “securizarem” as funções de preparação, apoio e toma de refeições, como tão expressivamente  agradável, atraente, funcionalmente estimulante e adequada e potencialmente convivial, proporcionando-se uma estratégica concentração de actividades domésticas na cozinha e, eventualmente, libertando-se, até, outros espaços da habitação para apoio a outras actividades e passatempos e/ou para um “concentrado” uso ocasional; numa perspectiva que acaba por poder concentrar os trabalhos domésticos diários num espaço mais circunscrito e facilmente mantido em adequadas condições de conforto.

Relativamente à cozinha para “quem não cozinha” ou pouco cozinha, apenas se refere que as opções de grande integração da cozinha num espaço multifuncional do tipo “sala de família” ou a expressiva caracterização da cozinha como espaço doméstico muito agradável e personalizável/apropriável (ex., mobiliário de família, quadros nas paredes, revestimentos calorosos, etc.) são opções que integram fortemente o espaço “tradicional” da cozinha  no conjunto da habitação, anulando-se a existência de um espaço funcional de “instalações para cozinhar” pouco ou nada utilizado e ambientalmente descontinuado relativamente ao resto da habitação.

Quanto a novidades e tendências nas cozinhas domésticas delas já aqui falámos um pouco, mas é interessante e oportuno ter em conta o actual crescimento do interesse na elaboração de pratos mais cuidados (a televisão está inundada de programas associados a esta tendência), uma situação que pode e deve fazer pensar e programar zonas de preparação de refeições potencialmente bem adequadas a uma cozinha expressivamente elaborada e associada ao uso de um leque alargado de ingredientes e utensílios (havendo de considerar a respectiva e adequada arrumação); e há outras novas tendências que podem e devem ter reflexo no desenvolvimento das cozinhas domésticas como é o caso da criação de pequenas garrafeiras, frequentemente associadas a exigências ambientais especializadas;
e a estas matérias relativas aos espaços e usos das cozinhas domésticas e às variadas formas da sua apropriação por diversas categorias de habitantes, voltaremos (mas nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um amplo conjunto de reflexões).

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 616
Inovar no espaço da cozinha doméstica – 4 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, outubro 23, 2017

Infohabitar, Ano XIII, n.º 615

Algumas ideias sobre a sala-comum – 3 artigos sobre o tema e um novo texto

por António Baptista Coelho


No início de setembro a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

(Parte do texto, em seguida, incluído: "Uma ideia que importa sempre considerar é a possibilidade de se disponibilizar uma sala-comum em dois espaços, situação que, desde que associado a uma adequada espaciosidade de cada um desses espaços, poderá dinamizar a capacidade de adaptabilidade ...")

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, dos seus espaços de entrada, circulação e zonas mais sociais, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.

Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre outros tipos de espaços e subespaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caraterizam cada fogo/habitação.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.
Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os três (3) artigos disponibilizados sobre o tema “Algumas ideias sobre a sala-comum”:

A sala-comum multifuncional

A sala-comum: diversos hábitos e usos

A sala-comum: problemas, potencialidades e inovações


Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, das suas zonas mais sociais e associadas a um espaço ou conjunto de espaços habitualmente designados de sala-comum muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em alguns parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estes estimulantes assuntos, que está, naturalmente, desenvolvida nos três artigos acima apontados e devidamente “linkados”.

A ilustração escolhida para acompanhar este texto diz muito, julga-se, sobre a riqueza da temática associada à reflexão sobre as diversas formas de usar, configurar, preencher e conceber os espaços da sala-comum: uma vista de uma parte de mesa de jantar sobre a porta de entrada de uma habitação, proporcionando-se para além do receber/estar à mesa as boas-vindas a quem entra e logo é convidado a sentar-se e partilhar, provavelmente, dentro em pouco, uma bebida ou uma pequena refeição de boas-vindas.

E assim logo aqui associámos, na sala-comum: receber e estar, associando o entrar na habitação a o estar e conviver e a refeições eventuais; uma condição que, naturalmente, estará mais associada a uma situação em habitação unifamiliar, mas que, na prática, é fortemente associada a uma ligação com o exterior – tal como fica patente na ilustração –, uma ligação que pode também acontecer, em soluções multifamiliaraes, em situações habitacionais térreas e em situações habitacionais servidas por galerias comuns, mas desde que, em qualuer um destes últimos caso multifamiliares, estejam devidamente consideradas e resolvidas as questões de privacidade relativamente a vistas exteriores e não desejadas.


O que daqui também se retira é o grande potencial da sala-comum, seja como “pólo” (ou charneira) de relacionamento da habitação com o seu exterior (privado, comum ou público), seja, consequentemente, como verdadeiro “pólo” (ou charneira) gerador da própria estruturação da habitação.

Importa agora, no entanto, considerar que, quando a sala-comum está hieráquica e funcionalmente separada da entrada na habitação através de um átrio/hall de entrada bem compartimentado, essa sua capacidade geradora da estruturação do espaço doméstico, parece perder-se um pouco, remetendo-se a sala-comum para um papel de certa forma idêntico ao de um grande quarto funcionalmente indiferenciado; uma situação que não é aqui apontada, negativamente, apenas constatando-se tal qualidade, uma qualidade que, aliás, terá vantagens em termos da adaptabilidade doméstica (ex., sala que pode tornar-se num grande quarto e, reciprocamente, poderá haver um grande quarto que possa tornar-se sala-comum).

Uma ideia que importa sempre considerar é a possibilidade de se disponibilizar uma sala-comum em dois espaços, situação que, desde que associado a uma adequada espaciosidade de cada um desses espaços, poderá dinamizar a capacidade de adaptabilidade de uma tal sala-comum; que pode gerar “pares” funcionais mais ou menos habituais como os seguintes: zona de estar e zona de refeições formais; zona de estar e zona de trabalho; zona de estar e zona de quarto (mais ou menos versátil); zona de refeições e zona de jogos de crianças, etc.

Uma outra relação potencialmente privilegiada que pode ser gerada numa habitação, através de uma adequada configuração e de um estratégico posicionamento da sala-comum, consiste na relação entre uma sala-comum mais ligada ao estar, embora integrando uma mesa escamoteável para refeições formais e uma cozinha convivial onde seja possível desenvolver, habitualmente, as refeições domésticas.

Ainda uma relação privilegiada da sala-comum pode ser estabelecida com espaços de entrada e/ou de circulação doméstica que possam ser “anexados” pela sala-comum em situações especiais, ampliando-se a sala-comum nessas ocasiões e sendo que na vivência habitual e corrente da habitação tais espaços de entrada e circulação podem estar mais “compartimentados”, proporcionando relações de privacidade mais efetivos – uma relação de privacidade que pode ser , naturalmente, anulado em situações de alargado convívio familiar.

Uma outra habitual e interessante relação funcional/ambiental da sala-comum desenvolve-se com espaços exteriores privados, proporcionando-se melhorias ambientais na sala-comum (ex., sombreamento, ventilação, vizinhança com elementos de vegetação) e potencial de desenvolvimento funcional pela extensão das funções da sala-comum sobre esse exterior privado.

Consideraram-se, assim, diversos aspectos associáveis ao sentido da sala-comum como espaço multifuncional, “multiambiental”, estruturalmente importante na organização da habitação e na imagem que dessa organização pode/deve ser passada a quem nos visita e espaço capaz de se “vestir” de múltiplos ambientes e funções; uma capacidade que será sempre muito desmultiplicada quando entre a sala-comum e as restantes zonas domésticas existem alternantivas de circulação. 

Também se apontaram para a sala-comum diversos hábitos e usos que aí são possíveis, seja num respeito “clássico” das suas velhas funções, entre as quais haverá, sempre, que considerar a ideia da sala como “montra” familiar relativa ao que queremos divulgar a quem nos visita, seja numa abertura a novas formas de habitar e mesmo a formas de habitar específicas de determinados grupos socio-culturais; e esta funcionalidade de “montra” poderá brigar um pouco com a interessante capacidade de apropriação que sempre deve caraterizar a sala-comu – uma capacidade de apropriação que obriga, por exemplo, a que a sala-comum possua, semprem uma excelente capacidade de integração de mobiliário e de elementos de decoração doméstica (ex., quadrosnas paredes).

E finalmente talvez seja interessante considerar que a sala-comum pode ser um dos sítios da habitação onde poderá ser mais visível a sua capacidade em termos de inovação, um pouco num sentido oposto ao da referida “montra” familiar, sempre relativamente estática; e esta dualidade é mais um dos aspectos caracterizadores da sala-comum, que, no limite, e em situações de pequenas habitações (T0 ou T0/T1) pode constituir-se como totalidade doméstica, matéria que obrigará a futura abordagem específica nesta série de artigos.

e a estas matérias relativas à sala-comum e às variadas formas da sua apropriação por diversas categorias de habitantes, voltaremos …

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 615
Algumas ideias sobre a sala-comum – 3 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras – apresentação da Série INOVATEC da ANTAC – Infohabitar 614

Infohabitar, Ano XIII, n.º 614

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras – apresentação da Série INOVATEC da ANTAC – Infohabitar 614


Notas breves do editor da Infohabitar
Depois de se ter tomado conhecimento da excelente iniciativa editorial desenvolvida no conjunto de três livros editados pela rede de pesquisa INOVATEC, apoiada pela FINEP: Inovação e Pesquisa, dirigida para a temática da Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras e sendo possível e muito desejável a sua respectiva divulgação, ela é, em seguida, assegurada, a partir de citações dos respectivos textos iniciais e links para os textos completos das respectivas publicações.
Trata-se de mais uma importante iniciativa da ANTAC (Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído), do Brasil, que, em seguida se apresenta , também, através de citações de textos elaborados pelos seus responsáveis.
Faz-se, ainda, uma essencial referência à Editora Scienza, que foi responsável pela revisão, editoriação e produção dos respectivos livros eletrônicos.
Desde já se alertam os leitores para o grande interesse dos três livros que se apresentam neste artigo e que tratam, sequencialmente, os seguintes temas:

- Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Manutenção e Percepção dos Usuários

- Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Materiais e Sustentabilidade

- Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Conforto Ambiental, Durabilidade e Pós-Ocupação

Agradece-se à grande amiga Professora da FAU-USP, Sheila Walbe Ornstein, pela oportuna informação relativa a esta excelente iniciativa editorial e enviam-se os sinceros parabéns aos respectivos promotores, editores, organizadores e autores dos respectivos capítulos.
E uma saudação e um agradecimento especiais aos colegas cujos textos são parcialmente citados, em seguida, com o objectivo de se procurar assegurar o enquadramento e a apresentação sucintas desta excelente série editorial.

Bem-hajam todos,
E aos leitores da Infohabitar, desejam-se excelentes leituras,
António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar, Coordenador do CIHEL, Investigador do LNEC

(seguem-se citações retiradas das páginas iniciais dos livros aqui divulgados, acompanhadas pelos respectivos links para os textos completos)

“Apresentação da ANTAC Gestão 2015-2016
Fundada em 1987, a ANTAC (Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído) é uma associação técnico-científica, de caráter multidisciplinar, que reúne pesquisadores e técnicos envolvidos com a produção e transferência de conhecimentos na área de tecnologia do ambiente construído. Esta área integra profissionais das mais diversas especialidades, tais como Engenheiros, Arquitetos, Físicos, Químicos e Sociólogos, que atuam em Construção Civil, Tecnologia de Arquitetura e Habitação.
Embora constituída majoritariamente por pesquisadores e docentes vinculados a universidades e institutos de pesquisa, a Associação conta também com inúmeros associados vinculados a órgãos públicos e empresas privadas. Para acompanhar e contribuir no desenvolvimento científico e tecnológico da construção civil, a ANTAC congrega seus associados em grupos de trabalho (GTs), que organizam discussões mais aprofundadas e específicas de cada área.
Seus membros promovem publicações e participam de workshops, encontros, projetos e revisões de normas. A ANTAC executa atividades como: a publicação da Revista Ambiente Constru- ído integrada a biblioteca eletrônica de periódicos científicos Scielo; a participação nos fóruns de discussão sobre o tema da Ciência, Tecnologia & Inovação (C,T&I) no Ambiente Construído nas instâncias governamentais e junto às entidades ligadas aos agentes privados da cadeia produtiva; a discussão e formulação políticas de C,T&I para o Ambiente Construído com tais agentes; o estabelecimento de formas de interação com as agências de fomento à pesquisa em tecnologia do ambiente construído; aproximações temáticas e busca de atuações conjuntas com Associações afins; a promoção de eventos direcionados à comunidade de C,T&I e Apresentação da ANTAC Gestão 2015-2016 com impacto nos setores produtivos da construção civil e finalmente a moderniza- ção das relações da entidade com seus grupos de trabalho, em particular para a realização dos eventos e edição de livros.
Os livros que compõem a Coleção ANTAC são uma iniciativa da associação no âmbito da edição de livro compilando contribuições científicas de Redes Cooperativas de Pesquisa coordenadas e/ou com a participação de pesquisadores associados. Assim como a edição de livros de conteúdos acadêmicos desenvolvidos por pesquisadores ativos nos grupos de trabalho da ANTAC na área de tecnologia do ambiente construído.
[…]”
ANTAC Gestão 2015-2016
Regina C. Ruschel, UNICAMP, Presidente ANTAC
José de Paula Barros Neto, UFC, Vice-presidente ANTAC
Eduardo Luis Isatto, UFRGS, Diretor Financeiro ANTAC
Paulo Roberto Pereira Andery, UFMG, Diretor Administrativo ANTAC
Alex Abiko, USP, Diretor de Relações Inter-institucionais ANTAC
Aldomar Pedrini, UFRN, Diretor de Divulgação ANTAC.

“Apresentação da ANTAC Gestão 2017-2018
Fundada em 1987, a ANTAC (Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído) é uma associação técnico-científica de caráter multidisciplinar que reúne pesquisadores e técnicos envolvidos com a produção e transferência de conhecimentos na área de tecnologia do ambiente construído. Essa área integra profissionais das mais diversas especialidades, tais como engenheiros, arquitetos, físicos, químicos e sociólogos, que atuam em Construção Civil, Tecnologia de Arquitetura e Habitação. Embora constituída majoritariamente por pesquisadores e docentes vinculados a universidades e institutos de pesquisa, a Associação conta também com inúmeros associados ligados a órgãos públicos e empresas privadas.
Para acompanhar e contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico da construção civil, a ANTAC congrega seus associados em grupos de trabalho (GTs), que organizam discussões mais aprofundadas e específicas de cada área. Seus membros promovem publicações e participam de workshops, encontros, projetos e revisões de normas.
A ANTAC executa atividades como: a publicação da Revista Ambiente Construído, integrada à biblioteca eletrônica de periódicos científicos Scielo; a participação em fóruns de discussão sobre o tema da Ciência, Tecnologia & Inovação (C,T&I) no Ambiente Construído nas instâncias governamentais e junto às entidades ligadas aos agentes privados da cadeia produtiva; a interação com as agências de fomento à pesquisa em tecnologia do ambiente construído; a promoção de eventos científicos direcionados à comunidade de C,T&I com impacto na atividade de construção civil; e finalmente o desenvolvimento de ações de modernização e difusão de conhecimentos junto ao setor de construção civil, em particular por meio da realização de eventos e edição de livros. Os volumes que compõem a Coleção ANTAC são uma iniciativa da associação no âmbito da edição de livros que promovam uma compilação das contribuições científicas de Redes Cooperativas de Pesquisa coordenadas e/ou com a participação de pesquisadores associados, assim como a edição de livros de conteúdos acadêmicos desenvolvidos por pesquisadores ativos nos grupos de trabalho da ANTAC na área de tecnologia do ambiente construído. O livro em questão – Coleção ANTAC: Rede Cooperativa de Pesquisa INOVATEC/Finep – trata do terceiro volume de apresentação dos resultados de pesquisa da Rede Cooperativa, que aborda o desempenho e a avaliação de desempenho em sistemas construtivos inovadores no Âmbito do SiNAT – Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Sistemas Inovadores e Convencionais.”
ANTAC Gestão 2017-2018
José de Paula Barros Neto – UFC Presidente ANTAC
Paulo Roberto Pereira Andery – UFMG Vice-Presidente ANTAC
Eduardo Luis Isatto – UFRGS Diretor Financeiro ANTAC
Roberta Vieira Gonçalves de Souza – UFMG Diretor Administrativo ANTAC
Silvio Burratino Melhado – USP Diretor de Relações Inter-institucionais
ANTAC Mônica Batista Leite – UEFS Diretora de Divulgação ANTAC

(Livro 1)

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Manutenção e Percepção dos Usuários

Márcio Minto Fabricio
Rosaria Ono
(organizadores)
Segue-se link para o texto completo da obra:

Texto de apresentação retirado do Prefácio do livro,
elaborado por Luis Carlos Bonin
“[…]
Esta publicação apresenta uma parte dos resultados obtidos por uma rede de pesquisa que envolveu a participação de dez instituições tecnológicas brasileiras selecionadas no edital 07/2009 da Finep – Inovação e Pesquisa – com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre critérios de desempenho e desenvolver novos métodos de avaliação que possam ser utilizados no aperfei- çoamento da NBR 15575 e subsidiar a elaboração de novas diretrizes de avaliação de produtos de construção inovadores no SiNAT.
Alguns dos capítulos desta publicação apresentam e discutem ferramentas de trabalho elaboradas para imediata utilização na avaliação de produtos de construção inovadores no âmbito do SiNAT.
Sua divulgação numa versão resumida nesta publicação e em maiores detalhes nos relatórios de resultados disponibilizados no site da rede INOVATEC, representa uma efetiva contribuição para superar o desafio citado. Outros capítulos propõem uma reflexão consistentemente embasada sobre temas relacionados ao conteúdo da NBR 15575 ou da documentação de referência do SiNAT, ampliando o domínio destes temas e preparando o caminho para seu futuro aperfeiçoamento.
[…]”

(Livro 2)

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Materiais e Sustentabilidade

Claudio de Souza Kazmierczak
Márcio Minto Fabricio
(organizadores)
Segue-se link para o texto completo da obra:

Texto de apresentação retirado do Prefácio do livro,
elaborado por Luis Carlos Bonin
“Esta publicação apresenta a segunda parte dos resultados obtidos por
uma rede de pesquisa que envolveu a participação de dez instituições
tecnológicas brasileiras selecionadas no edital 07/2009 da Finep –
Inovação e Pesquisa – com os objetivos de aprofundar o conhecimento
sobre critérios de desempenho e desenvolver novos métodos de avaliação
que possam ser utilizados no aperfeiçoamento da NBR 15575 e subsidiar
a elaboração de diretrizes de avaliação de produtos de construção
inovadores no Sistema Nacional de Avaliação Técnica – SiNAT. O primeiro
conjunto de artigos foi publicado em 2015 e está disponível no site da
rede INOVATEC.
O conjunto de artigos agora publicado aborda métodos e parâmetros
para a avaliação da durabilidade e da adequação ambiental de produtos
de construção. Estes temas foram escolhidos para comporem a rede de
pesquisa em razão de apresentarem importantes lacunas de conhecimento
que limitam a plena utilização da NBR 15575 e a operação do SiNAT. Cabe
lembrar, todavia, que nas atividades de pesquisa realizadas pela rede
INOVATEC não existe a pretensão de preencher todas estas lacunas de
conhecimento, mas contribuir topicamente para a superação de algumas
das limitações ora existentes.
[…]”

(Livro 3)

Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras: Conforto Ambiental, Durabilidade e Pós-Ocupação

Márcio M. Fabricio
Adriana C. Brito
Fúlvio Vittorino
(organizadores)
Segue-se link para o texto completo da obra:

Textos de apresentação retirados do Prefácio do livro,
elaborado por Luis Carlos Bonin
“Esta publicação apresenta resultados obtidos pela rede de pesquisa INOVATEC que envolveu a participação de dez instituições tecnológicas brasileiras selecionadas na Chamada Pública MCT/MCidades/Finep/Ação Transversal Saneamento Ambiental e Habitação 07/2009, Área Habitação, com o Tema Prioritário de desenvolvimento de métodos de ensaio e metodologias para avaliação de desempenho de tecnologias inovadoras no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação Técnica de Sistemas Inovadores e Convencionais – SINAT, com ênfase em durabilidade, vida útil e custos ao longo do ciclo de vida no segmento da habitação de interesse social, bem como em estudos para identificação de gargalos e recomendação de aperfeiçoamento de normas técnicas de avaliação de desempenho de edifícios habitacionais.
Na estruturação da rede o Tema Prioritário foi desdobrado em cinco subprojetos, envolvendo a definição de critérios e métodos para a avaliação da durabilidade, do desempenho ambiental, do desempenho estrutural, da manutenibilidade e da percepção dos usuários sobre sistemas construtivos inovadores.
[...]
Mantendo o título geral Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras, foram publicadas três coleções de artigos, cada uma organizada a partir de um tema específico: a primeira, publicada em 2015, incluiu artigos relacionados com Manutenção e Percepção dos Usuários; a segunda, publicada em 2016, contém artigos relativos a Materiais e Sustentabilidade; a terceira, finalmente, publicada agora em 2017, reúne artigos referentes ao Conforto Ambiental, Durabilidade e Pós-Ocupação. A programação dessas publicações foi definida, de certa forma, pela conclusão das atividades dos subprojetos da rede.
[...]”
Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 614
Avaliação de Desempenho de Tecnologias Construtivas Inovadoras – apresentação da Série INOVATEC da ANTAC – Infohabitar 614
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).
Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



segunda-feira, outubro 09, 2017

Interior da habitação: entrada, circulação e zonas mais sociais - Infohabitar 613

Infohabitar, Ano XIII, n.º 613

“Interior da habitação: entrada, circulação e zonas mais sociais” – sete artigos sobre o tema e um novo texto


por António Baptista Coelho

Há cerca de um mês a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, dos seus espaços de entrada, circulação e zonas mais sociais, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.
Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caraterizam cada fogo/habitação.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os sete (7) artigos disponibilizados sobre o tema “Interior da habitação: entrada, circulação e zonas mais sociais”:

Espaços domésticos comuns

Entrar na habitação, o vestíbulo de entrada

Circulações domésticas como espaços de vida - I

Circulações domésticas como espaços de vida - II

Lavabo, espaço funcional ou de “cerimónia”

Escadas domésticas

Corredores e zonas de passagem domésticas


Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, dos seus espaços de entrada, circulação e zonas mais sociais muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em alguns parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estes estimulantes assuntos.

A “ditadura funcionalista” levou, frequentemente, a uma rígida estruturação hierárquica da habitação, produzindo-se, assim, quase sempre, vivências domésticas estereotipadas, pouco ricas, excessivamente compartimentadas e muitas vezes monótonas e desinteressantes, com zonas, por vezes, reservadas e pouco usadas e outras intensamente usadas, pouco espaçosas e até mal situadas.

Mas essa “ditadura funcionalista” também se caracterizou, muto frequentemente, ao nível do espaço doméstico, pelo apoio ao desenvolvimento de uma estrutura, mais ou menos radiculada, de espaços de entrada e de circulação expressivamente separados dos outros espaços da “casa” e, muitas, vezes funcionalmente usáveis apenas para a dita função da circulação doméstica; obtendo-se, por vezes, caricatas situações em que áreas de fogos muito limitadas, porque de habitação de interesse social, mas com um substancial número de quartos, integram extensos e conturbados corredores.

Não se trata, aqui, de negar os aspectos positivos de uma adequada privatização dos espaços domésticos e da possibilidade que eles devem oferecer para uma gradação de privacidade e de convivialidade, mas essencialmente de defender que tais condições deveriam poder ser assumidas de modo opcional pelos respectivos habitantes, proporcionando-se diversas formas de vivência de cada espaço doméstico.

A questão da privacidade, uma questão “de base” na concepção arquitectónica habitacional, poderá/deverá ter deversas formas de abordagem, seja no interior da habitação, seja na sua estruturada relação com o exterior público ou comum (do edifício multifamiliar); afirmação que apenas quer sublinhar situações sem sentido em que organizações domésticas extremamente hierarquizadas e sequencialmente privatizadas convivem com uma expressiva inexistência de privacidade na relação com o exterior, público ou comum.

Os espaços domésticos/privados com características de uso mais comuns, e designadamente, os espaços de entrada e de circulação são elementos de estruturação da organização doméstica que devem ser responsáveis não só pela respectiva funcionalidade, mas por uma funcionalidade devidamente submetida a um sentido “doméstico” (não “maquinal”), e por uma adequada caracterização da habitação em termos de solução de arquitectura, caracterização esta que importa ligara a aspectos de clareza de leitura/uso, de sentido de percepção mais global ou mais gradual dos respectivos espaços e, naturalmente, a um essencial potencial de adaptabilidade e apropriação da habitação a diversos modos e gostos de habitar.



Em tudo isto julga-se importante caldear as bem conhecidas e expressivamente aplicadas necessidades domésticas de privacidade com as talvez menos conhecidas e muito menos aplicadas necessidades domésticas de uma convivialidade naturalmente mitigada mas potencialmente muito expressiva; e estas são necessidades muito pouco servidas por espaços domésticos rigidamente hierarquizados e compartimentados, e servidos por alongados, estreitos e conturbados corredores.

Que soluções então? Não as desenvolveremos aqui, para já, de modo pormenorizado, pois será melhor que elas possam ficar à discrição dos leitores; mas que elas existem é um facto.
Importa naturalmente fazer aqui uma espécie de parêntese referindo que tudo isto, todos estes potenciais de caracterização e adaptabilidade domésticas, que se jogam nas zonas de entrada e de circulação e, naturalmente, também nos espaços dos próprios compartimentos, ganha com um sentido de espaciosidade, sendo que um espaço doméstico mais espaçoso e com dimensões mais folgadas é, evidentemente, um espaço com maior potencial de adaptabilidade, tal como temos vindo aqui a reflectir; mas há que apontar que é possível e existem excelentes exemplos de soluções habitacionais espacialmente pouco folgadas em termos de áreas que conseguem proporcionar as qualidades equilibradas de privacidade e de convivialidade, aqui defendidas, e isto em estruturações domésticas agradavelmente articuladas, pouco rígidas e pouco hierarquizadas.

E em tudo isto há que lembrar e reforçar a importância dos espaços antes da entrada na habitação, que nos “preparam” para nela entrar (vão de entrada) e dos elementos e espaços de contacto do mundo doméstico com o exterior (vãos de peito e de sacada das janelas); trata-se, afinal, de considerar a habitação realmente “fundida” e na continuidade com os espaços comuns e públicos que a envolvem; uma opção que faz realmente arquitectura, a tal grande Arquitectura feita nos espaços de passagem, de transição e de contacto, como defende Siza Vieira; e ao articular desta forma a habitação com a sua envolvente proporciona que os espaços de circulação e de entrada não sejam elementos de “impasse”, mas sim de relacionamento numa estutura com verdadeira continuidade – trata-se de entrar e circular na habitação para depois, olhar pelas janelas, ou sair para a varanda ou para o pátio ou jardim, fechando-se, de certa forma um “círculo” de relações exterior/interior/exterior e público/comum/privado/público no qual pouco sentido parecem fazer circulações extremamente rígidas e hierarquizadas.

Passando, agora para algumas notas sobre espaços domésticos mais “comuns” e expressivamente de circulação ou recepção; aos quais voltaremos, mais pormenorizadamente, em próximos artigosfuturos, pode-se referir que quase tudo numa habitação “começa” na entrada, ou talvez antes dela, no patim ou galeria comum, mas a ação de entrar na habitação, e o respectivo espaço ou vestíbulo de entrada deverá sempre ser assunto marcante no desenho de uma habitação, ainda que tal espaço seja, eventualmente, pouco destrinçável de um outro com o qual se conjugue.

A possibilidade de existirem acessos/entradas alternativas (mais de serviço e principal) é interessante, mas tem, naturalmente a ver com a espaciosidade global da solução doméstica.
Globalmente, a entrada na habitação deve proporcionar privacidade interior e capacidade de recepção, sendo que outros aspectos de maior ou menor compartimentação da mesma entrada poderão ser considerados menos importantes.

As questões regulamentares associáveis à segurança contra risco de incêndio deverão ser naturalmente consideradas e respeitadas, no entanto julga-se que é bastante discutível que elas possam obrigar a uma dada compartimentação habitacional que estaria, afinal, associada a uma obrigatória situação de portas fechadas, o que no interior da habitação é algo extremamente discutível.

Uma boa entrada doméstica é um espaço que deve ter luz natural e ventilação e neste sentido obrigará, frequentemente, a uma conjugação afirmada com outros espaços e compartimentos contíguos.

Que outros usos poderão ser acolhidos numa entrada doméstica para além dos mais conhecidos aspectos de recepção, apoio ao vestir, despir e guardar de alguns agasalhos? Talvez a apresentação de algum mobiliário “representativo” e, no limite, talvez a própria extensão de algumas actividades possíveis na sala-comum; isto considerando-a nas suas diversas valências (jantar formal e estar) e condionando-se esta opção a vontades expressas de maior ou menor abertura de tais actividades a quem chega/entra na “casa” –  no limite e lembrando muito do que se passa na habitação popular/tradicional, poderemos ter uma entrada que dá para uma zona de jantar formal, quase convidando quem chega a sentar e partilhar uma refeição de boas-vindas.

E temos assim já o tema desta pequena reflexão que corresponde à assunção das circulações domésticas como espaços de vida, matéria que iremos desenvolver em próximos textos, mas que, essencialmente, tem a ver com a sua consideração e variada leitura, seja como elementos de clarificação da estruturação doméstica – e simultaneamente de sua caracterização – , seja como elementos de circulação, seja como elementos/espaços domésticos com outras utilidades complementares e potencialmente muito diversas – desde zonas expressivamente mobiláveis a verdadeiras pequenas “galerias” de arte domésticas.

Caso a habitação tenha um razoável desenvolvimento, será interessante que ela possa integrar um pequeno compartimento que se pode designar de lavabo, e que possua característica funcionais adequadas, mas também de alguma “cerimónia”; caso a habitação tenha pequena dimensão a situação da respectiva casa de banho deverá poder cumprir estas funções ainda que de forma mitigada, não devendo obrigar a uma expressiva intrusão na privacidade do morador, que é duplamente negativa para o morador e para o visitante.

Quando existem escadas domésticas importa, basicamente, que elas sejam funcionais e expressivamente confortáveis e seguras no seu uso, mas também importa que elas sejam importantes elementos de atractividade e eventualmente de caracterização doméstica, uma condição que pode ser conseguida aliando-se as escadas a outros espaços e elementos domésticos e tirando-se partido destas alianças e posições privilegiadas. Uma coisa importa, portanto, sublinhar: uma escada doméstica pode e deve ser muito mais do que um simples elemento funcional na globalidade da respectiva habitação.

De certa forma e globalmente há que “resgatar” as zonas de entrada, os corredores e as zonas de passagem domésticas de uma sua “velha” e muito exclusiva caracterização funcional, tratando estes elementos de uma forma positivamente inovadora e caracterizadora da respectiva solução habitacional, tendo-se em conta quer a a sua história em termos de formas e funções, quer os novos usos e desejos habitacionais e visando-se, sempre, uma positiva adaptabilidade das organizações e pormenorizações domésticas.

e a estas matérias voltaremos …


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 613
Interior da habitação: entrada, circulação e zonas mais sociais” – sete artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.